domingo, 22 de janeiro de 2012

OBSERVAÇÃO DE AVES (DEZEMBRO 2011)

Lista anotada e ilustrada das aves observadas no Estuário do Cávado e habitats envolventes

 
(as ocorrências mais relevantes serão assinaladas a negrito)
(anotações a azul)
(as ilustrações seguem-se ao nome a que correspondem)
(para ver a foto com um pouco mais de detalhe clique em cima da imagem)

 
ESPÉCIES COM POPULAÇÕES EM ESTADO SELVAGEM

 
Ordem Anseriformes
 
Família Anatidae
 
Anser albifrons (Ganso-grande-de-testa-branca)continuam no estuário os quatro juvenis mas agora muito mais cautelosos e quase nunca abandonam o refúgio do extremo norte do juncal










 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Anas penelope (Piadeira) – um macho em eclipse
 
Anas strepera (Frisada) – um macho na marginal de Fão e um casal entre o leito principal do rio, a zona ribeirinha de Esposende e a restinga, ao qual se juntou uma fêmea no dia 29
 
Anas crecca (Marrequinho)
 
Anas platyrhynchos (Pato-real)
 
Melanitta nigra (Pato-negro)foi encontrado em frente à foz um juvenil ou fêmea no dia 20 e dois dias depois no mesmo local foi observado um bando com sete indivíduos (julgo que eram todos juvenis)





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mergus merganser (Merganso-grande)na manhã do dia 21 avistei uma fêmea ou juvenil em frente ao edifício do ISN a meia distância entre a zona ribeirinha de Esposende e a restinga; registo submetido ao Comité Português de Raridades (código CPR J120)

 
Ordem Podicipediformes
 
Família Podicipedidae
 
Tachybaptus ruficollis (Mergulhão-pequeno) – até sete indivíduos entre o clube de pesca de Ofir e o juncal e até três ao largo do molhe do Caldeirão
 
Podiceps nigricollis (Mergulhão-de-pescoço-preto)os dois indivíduos chegados em Novembro permaneceram até ao final do ano no plano de água entre a marginal de Esposende e a restinga; no dia 13 foi assinalado um terceiro indivíduo que jamais foi visto

 
Ordem Pelecaniformes
 
Família Sulidae
 
Morus bassanus (Ganso-patola)muito notados durante todo o mês e agora com maior percentagem de adultos; no dia 23 quase todos seguiam para norte
 
Família Phalacrocoracidae
 
Phalacrocorax carbo (Corvo-marinho-de-faces-brancas)

 
Ordem Ciconiiformes
 
Família Ardeidae
 
Bubulcus ibis (Garça-boieira) – no dia 18 parte do bando que saiu cedo do freixo na margem direita totalizou os 30 indivíduos que pousaram no banco de areia em frente ao cais da Pedra Alta em Fão; neste inverno algumas habituaram-se a passar os dias nos campos de Gandra até às Marinhas




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Egretta garzetta (Garça-branca-pequena)




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ardea cinerea (Garça-real ou G-cinzenta)






 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Família Threskiornithidae
 
Platalea leucorodia (Colhereiro)os dois indivíduos que se restaram do mês anterior foram vistos pela última vez no dia 5

 
Ordem Accipitriformes
 
Família Accipitridae
 
Accipiter nisus (Gavião)
 
Buteo buteo (Águia-de-asa-redonda) – apenas registei a chegada da invernante da restinga no dia 20 (na foto)



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Família Pandionidae
 
Pandion haliaetus (Águia-pesqueira)somente posso confirmar a permanência da anilhada; no dia 29 pousou nas estacas junto ao clube de pesca de Ofir (na foto)



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ordem Falconiformes
 
Família Falconidae
 
Falco tinnunculus (Peneireiro-vulgar)
 
Falco peregrinus (Falcão-peregrino)um indivíduo observado a partir do dia 21 desde a restinga até ao Caldeirão; foi encontrado várias vezes pousado no poste situado junto à ETAR (na foto)



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ordem Gruiformes
 
Família Rallidae
 
Fulica atra (Galeirão) – quatro indivíduos na marginal de Fão






 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ordem Charadriiformes
 
Família Charadriidae
 
Charadrius hiaticula (Borrelho-grande-de-coleira)
 
Charadrius alexandrinus (Borrelho-de-coleira-interrompida)até ao dia 13 ainda permaneciam no sapal junto ao Forte de São João Batista vários indivíduos (até 10)
 
Pluvialis squatarola (Tarambola-cinzenta)
 
Família Scolopacidae
 
Calidris alba (Pilrito-d’areia)
 
Calidris alpina (Pilrito-comum) – no início de dezembro o comportamento muito particular do espécime das fotos seguintes suscitou uma ampla discussão no Fórum Aves (ver aqui)





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gallinago gallinago (Narceja)
 
Limosa limosa (Maçarico-de-bico-direito)
 
Limosa lapponica (Fuselo)
 
Numenius arquata (Maçarico-real)
 
Tringa nebularia (Perna-verde)
 
Actitis hypoleucos (Maçarico-das-rochas)




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Arenaria interpres (Rola-do-mar)
 
Família Laridae
 
Larus melanocephalus (Gaivota-de-cabeça-preta)nos dias 12 e 13 foram avistados até três indivíduos em plumagem de 1º. inverno



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Larus ridibundus (Guincho)
 
Larus canus (Gaivota-parda)no dia 12 avistei um indivíduo no sapal próximo da foz e no dia 21 outro no extremo da restinga; a partir deste dia outro indivíduo inseriu-se num bando de guinchos que frequenta os campos de cultivo em torno da ETAR e ali permaneceu



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Larus fuscus (Gaivota-de-asa-escura)
 
Larus michahellis (Gaivota-de-patas-amarelas)
 
Família Sternidae
 
Sterna sandvicensis (Garajau-comum)
 
Família Alcidae
 
Uria aalge (Airo ou Arau-comum) no dia 26 o Carlos Rio assinalou-me a presença de um indivíduo debilitado no rego da margem esquerda junto aos campos das Pedreiras; apesar de me ter deslocado ao local e resgatado a ave, já não foi possível recuperá-la


Ordem Columbiformes
 
Família Columbidae
 
Columba livia (Pombo-da-rocha e Pombo-doméstico)
 
Columba palumbus (Pombo-torcaz)
 
Streptopelia decaocto (Rola-turca)

 
Ordem Strigiformes
 
Família Tytonidae
 
Tyto alba (Coruja-das-torres)

 
Ordem Coraciiformes
 
Família Alcedinidae
 
Alcedo atthis (Guarda-rios)

 
Ordem Piciformes
 
Família Picidae
 
Dendrocopus major (Pica-pau-malhado-grande)

 
Ordem Passeriformes
 
Família Alaudidae
 
Galerida cristata (Cotovia-de-poupa)no dia 27 foram observados dois indivíduos num campo de cultivo a montante da ETAR na margem direita
 
Alauda arvensis (Laverca)
 
Família Motacillidae
 
Anthus pratensis (Petinha-dos-prados)
 
Anthus spinoletta (Petinha-ribeirinha)o espécime das imagens, com a asa esquerda descaída, chegou à margem esquerda a montante da ETAR no dia 6; a partir do dia 12 passei a encontrar este indivíduo na marginal de Fão





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Motacilla cinerea (Alvéola-cinzenta)
 
Motacilla alba (Alvéola-branca)
 
Família Troglodytidae
 
Troglodytes troglodytes (Carriça)
 
Família Prunellidae
 
Prunella modularis (Ferreirinha)
 
Família Turdidae
 
Erithacus rubecula (Pisco-de-peito-ruivo)




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Phoenicurus ochruros (Rabirruivo-preto)
 
Saxicola rubicola (Cartaxo-comum) – a Association of European Records and Rarities Committees (AERC) acaba de publicar novas recomendações taxonómicas ainda não vertidas nesta lista (ver aqui); no caso desta espécie optei por seguir tais recomendações apenas para assinalar tais alterações que respeitarei na próxima lista a publicar ainda este mês (nome específico agora substituído S. torquatus o qual, por sua vez, já tinha vindo substituir o S. torquata)


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Turdus merula (Melro-preto)

Turdus philomelos (Tordo-músico)desde o início do mês um indivíduo instalou-se nos campos de cultivo da margem direita a jusante da ponte velha






 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Família Sylviidae
 
Cettia cetti (Rouxinol-bravo)localizados vários indivíduos através das suas vocalizações caraterísticas durante todo o mês nas zonas de vegetação mais densa nas margens do estuário, sobretudo nas silvas e entre vegetação ripícola
 
Cisticola juncidis (Fuinha-dos-juncos)
 
Sylvia atricapilla (Toutinegra-de-barrete-preto)
 
Sylvia undata (Felosa-do-mato ou Toutinegra-do-mato)
 
Sylvia melanocephala (Toutinegra-de-cabeça-preta)
 
Phylloscopus collybita (Felosa-comum ou Felosinha)
 
Regulus ignicapillus (Estrelinha-real)
 
Família Paridae
 
Parus cristatus (Chapim-de-poupa)
 
Parus ater (Chapim-preto)
 
Parus major (Chapim-real)
 
Família Certhiidae
 
Certhia brachydactyla (Trepadeira-comum)
 
Família Corvidae
 
Garrulus glandarius (Gaio)
 
Pica pica (Pega)
 
Corvus corone (Gralha-preta)a partir do dia 20 os dois indivíduos passaram a visitar quase diariamente na restinga envolvendo-se em disputas com as gaivotas, mas regressando sempre ao campos de cultivo da margem direita
 
Família Sturnidae
 
Sturnus vulgaris (Estorninho-malhado)
 
Sturnus unicolor (Estorninho-preto)
 
Família Passeridae
 
Passer domesticus (Pardal-comum ou Pardal-dos-telhados)
 
Passer montanus (Pardal-montês)
 
Família Estrildidae
 
Estrilda astrild (Bico-de-lacre)
 
Família Fringillidae
 
Fringilla coelebs (Tentilhão)assinalada a presença de muitos imaturos e dos habituais invernantes
 
Serinus serinus (Chamariz)




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Carduelis chloris (Verdilhão)
 
Carduelis cannabina (Pintarroxo)
 
Família Emberizidae
 
Emberiza cirlus (Escrevedeira-de-garganta-preta)no dia 20 registei vários indivíduos nas dunas que suponho serem invernantes




 
ESPÉCIES QUE OCORREM APENAS COMO RESULTADO DE UMA INTRODUÇÃO, FUGA AO CATIVEIRO OU POSSIVELMENTE PROVENIENTES DE POPULAÇÕES SELVAGENS MAS COM A SITUAÇÃO NÃO AVALIADA PELO COMITÉ PORTUGUÊS DE RARIDADES

 
Ordem Anseriformes
 
Família Anatidae
 
Anser cygnoides (Ganso-chinês)no dia 22 chegou um indivíduo desta espécie originária da Ásia Central e Oriental (daí o vernáculo usado) e desde então instalou-se na zona ribeirinha de Fão onde se aproxima sem receios da mão dos habituais alimentadores de patos; este é o primeiro registo da presença desta espécie exótica no estuário do Cávado e deve-se seguramente a mais uma evasão à condição de ave doméstica ou ornamental (não incluída na Lista Sistemática das Aves de Portugal Continental, pois está classificada na categoria E – fugas de cativeiro e espécies introduzidas); as populações genuinamente selvagens estão ameaçadas (estatuto UICN «Vulnerável»)






 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 FONTE: Birdlife International e União Internacional para Conservação da Natureza (UICN)

 
Cairina moschata (Pato-mudo) – casal libertado na marginal de Fão há mais de uma década (julgo ainda que aqueles quatro grandes patos escuros que se mantêm nesta zona há vários anos deverão ser híbridos desta espécie com os Anas platyrhynchos ferais ou domesticados)
 
Alopochen aegyptiacus (Ganso-do-egipto) – quatro indivíduos sobrevoaram o estuário no dia 7 e seguiram para nascente; no dia 21 registei a chegada de um indivíduo que se isolou no pequeno banco de areia em frente ao cais da Pedra Alta na marginal de Fão




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Anas sibilatrix (Piadeira-do-chile) – o suposto híbrido com Anas americana ou Anas flavirostris chegado em Agosto de 2010
 
Anas bahamensis (Pato-das-bahamas) – o mesmo indivíduo chegado em Agosto de 2011



















 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

REGISTO DE UMA NOVA ESPÉCIE DE CHARADRIIFORME

Família Charadriidae (borrelhos, abibes e tarambolas)
 
Género Pluvialis
 
No território continental nacional ocorrem regularmente duas espécies de tarambolas (género Pluvialis), ambas já registadas no estuário do Cávado: a Tarambola-cinzenta (Pluvialis squatarola), invernante e migrador de passagem localmente comum (*), que desde o início de novembro conta com várias dezenas de indivíduos bem disseminados por toda esta zona húmida, e a Tarambola-dourada (Pluvialis apricaria), invernante pouco comum (*), que está a tardar a chegar (ou a passar).
 
Além destas, em AVES DE PORTUGAL – ORNITOLOGIA DO TERRITÓRIO CONTINENTAL (*), consta que ainda haverá a remota possibilidade de ocorrer no nosso país a Tarambola-dourada-siberiana (Pluvialis fulva) e a Tarambola-dourada-americana ou Batuiruçu (Pluvialis dominica), cujas distribuições globais são assim apresentadas no portal da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN):




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este dado per si já demonstra a pouca probabilidade destas duas espécies surgirem nesta região do globo. E entre os escassos registos da sua presença em Portugal, apenas há a indicação de uma ocorrência de P. dominica a norte do Cabo Carvoeiro (no estuário do Mondego 02.10.2010 D. Holyoak) (in Raridades Online).
 
Deste modo, quando em ‎14‎ de ‎setembro‎ de ‎2010 observei na margem direita do estuário do Cávado esta ave:




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
presumi meramente que estava perante uma Tarambola-cinzenta em mudança de plumagem estival para invernante e publiquei aqui uma daquelas imagens associando-lhe o nome desta espécie mais comum.
 
Até que recentemente fui contactado por Rafael Matias a corrigir-me a identificação daquela ave. Ou seja, segundo este membro do Comité Português de Raridades, e também de acordo com a insuspeita opinião de João Jara e de Ray Tipper, a foto apresentada corresponde efetivamente a uma Tarambola-dourada-americana.
 
Assinalo, assim, a inscrição da Tarambola-dourada-americana ou Batuiruçu (Pluvialis dominica) na lista das aves do estuário do Cávado e habitats envolventes.
 
Como é óbvio, esta espécie não consta na Lista de Aves referenciadas para o Parque Natural Litoral Norte na respectiva caracterização biológica, nem no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. A UICN atribui-lhe o estatuto de conservação a nível global de «Pouco Preocupante».
 
Na última actualização da lista de aves do distrito de Braga do portal Aves de Portugal, já está mencionada esta ocorrência.
 
Com um atraso superior a um ano, esta observação foi submetida para homologação ao Comité Português de Raridades, tendo-lhe sido atribuído o código CPR J073.


 
(*) Catry P., Costa H., Elias G. & Matias R. 2010. em AVES DE PORTUGAL – ORNITOLOGIA DO TERRITÓRIO CONTINENTAL. Assírio & Alvim, Lisboa.


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

OBSERVAÇÃO DE AVES (NOVEMBRO 2011) (Anexo)

Confirmação da ocorrência de nova espécie de PODICIPEDIFORMES

 
Família Podicipedidae
 
A família dos Mergulhões (Podicipedidae) conta com três espécies de ocorrência regular no nosso país e ainda outra indicada como acidental. Assim, conforme se esperava com a aproximação do frio, no dia 24 do último mês de novembro assinalei no estuário do Cávado a presença de 7 (sete) Mergulhões-pequenos (Tachybaptus ruficollis) e a chegada dos 2 (dois) primeiros Mergulhões-de-pescoço-preto (Podiceps nigricollis) que se preparavam para passarem o inverno na amenidade desta zona húmida. A terceira espécie, o Mergulhão-de-crista (Podiceps cristatus), apenas foi por mim registada nesta área entre o final de julho de 1998 e a primeira metade de fevereiro de 1999.
 
Mas nas primeiras horas do dia 18 de novembro deparei-me com um mergulhão a descansar na margem direita junto ao cais da antiga draga (a montante da doca de pesca) cuja silhueta logo me despertou o interesse. No instante em que estabeleci contacto visual com a ave, esta logo se afastou pela água até ao juncal em frente, onde desapareceu e jamais a encontrei. Dada a falta de luz, não fui muito bem sucedido na recolha das imagens daquele momento, contudo, estas ainda se revelaram aceitáveis para poder dirigir-me à informada e competente comunidade do Fórum Aves deste modo:

 
“Viva caríssimos!
Umas das especialidades invernantes aqui no estuário do Cávado são os Mergulhões-de-pescoço-preto (Podiceps nigricollis). São aves graciosas e muito conspícuas facilmente observáveis a partir da marginal de Esposende. Por tal estou muito habituado a observá-las e já tive a felicidade de as fotografar inúmeras vezes a poucos metros de distância (recorrendo a abrigo, claro). Este ano estão a tardar. Mas na manhã do dia 18 deste mês de Novembro deparei-me com esta ave isolada:





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Logo num primeiro momento estranhei o aspecto geral mais comprido da ave (talvez mais esguia) e à medida que ia obtendo estas imagens fiquei ainda mais intrigado com alguns pormenores, designadamente o bico grosso e a testa baixa. Apesar daquele pescoço “sujo”, haverá alguma hipótese de estarmos perante um Podiceps auritus?”

 
As respostas não tardaram e também não permitem que restem dúvidas:
 
António A. Gonçalves “… pelo formato da cabeça e do bico e o padrão da cabeça eu digo que sim…”
 
Flávio Oliveira “… também me parece P. auritus. Pela grande simetria entre parte superior e inferior do bico (não parece virado para cima na ponta) e pela transição nítida entre o preto e o branco da cabeça/face…”
 
Rui Caratão “… Espero que se aguente por aí no Inverno...”
 
Gonçalo Elias “… E vai mais uma espécie para o distrito. Sugiro envio de mail (com foto) para a mailing list das raridades…”
 
Pedro Ramalho “… Confirmadíssimo…”
 
Carlos Pacheco “… manda também para o CPR, não te esqueças…”
 
João Ferreira “…Grande Malha…”
 
Luís Gordinho “… Muito bom Jorge. O pescoço (e a face) "sujos" a que fazes referência poderão ser restos da plumagem de juvenil… é sempre 1 bicho giro de se ver cá... ”

 
Inscrevo, assim, o Mergulhão-de-pescoço-castanho (Podiceps auritus) na lista das aves da minha área de estudo.
 
Esta espécie, que não consta no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, está definida com o estatuto de conservação global de «Pouco Preocupante» pela União Internacional para a Conservação da Natureza. A imagem seguinte, extraída do sítio electrónico desta organização, ilustra a distribuição europeia deste mergulhão proveniente dos longínquos países bálticos que, como se pode ver, não é ocorrência regular no território continental nacional.



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Catry P., Costa H., Elias G. & Matias R. 2010. em AVES DE PORTUGAL – ORNITOLOGIA DO TERRITÓRIO CONTINENTAL. Assírio & Alvim, Lisboa, referem que até 2007 apenas havia dois registos da sua presença entre nós (01-11-1993 – estuário do Minho – FJ Arcas, JM Arcas, MC Jamardo, D Vieites, DR Vieites; 07-01-2006 – Lagoa de Óbidos – H Cardoso e outros) e, desde então, apenas tenho conhecimento das duas ocorrências constantes da última Tabela de Registos do Comité Português de Raridades (24-12-2010 – lagoa Grande – Lagoa de Albufeira – Sesimbra – P Fernandes; 13 a 17-02-2011 – praia do Quebrado, Peniche V Maia, P Ramalho) e de outra apenas indicada no Raridades Online (05-02-2011 – cais comercial de Faro – M Mendes).
 
Assim, o Mergulhão-de-pescoço-castanho também não está indicado na Lista de Aves referenciadas para o Parque Natural Litoral Norte na respectiva caracterização biológica. Na última actualização da lista de aves do distrito de Braga do portal Aves de Portugal, já está mencionada esta ocorrência.
 
Esta observação foi submetida para homologação ao Comité Português de Raridades, tendo-lhe sido atribuído o código CPR J074.